Do Inferno ao Céu! Minha visita à Toca do Urso, da Cervejaria Colorado!



Há algumas semanas atrás, publiquei aqui uma matéria especial (não foi publieditorial), sobre o que considerava ser algo extraordinário que a Cervejaria Colorado inaugurou em sua cidade natal, em Ribeirão Preto – a Toca do Urso.

Aproveitando a proximidade do final de semana prolongado, com a chegada da Páscoa, resolvi programar um passeio com minha esposa, saindo em direção à Ribeirão Preto na quinta-feira à tarde (véspera da sexta-feira santa). Reservamos hotel via internet, e chegamos na cidade por volta das 19h. Estacionamos o carro no hotel, e deixamos rapidamente nossos pertences no hotel.

Coloquei meu boné do Urso e descemos rumo ao passeio.

Um casal amigo, que moram em Ribeirão, já estavam nos aguardando na Toca do Urso.

Como todo bom bebedor, chamamos um táxi, pela 99. Porém como ninguém respondeu à requisição, seguimos de Uber, que nos atendeu em poucos segundos – e ainda mais barato.

Atracamos na sede da Cervejaria Colorado, às margens da Rodovia Anhanguera, por volta de 19:30h.

Até aí a expectativa e adrenalina estavam à mil. Amo as cervejas da Colorado. Não é a minha preferida, na própria cidade não fico sem visitar a Invicta, porém não sei explicar o carisma pelo urso.

O Inferno

Quando chegamos próximo ao portão da Toca do Urso tudo chamava atenção. A arquitetura, o furgão personalizado, o ônibus adaptado para ser uma loja (mas que não funcionou), o som rolando lá dentro que se ouvida de fora… Tudo conspirava. Só que não!

A poucos passos do portão de acesso, o segurança simplesmente o fechou e ainda lacrou com cadeado (não estou exagerando), alegando que a casa estava cheia. Nesse momento haviam mais umas 8 ou 10 pessoas do lado de fora. Todos visivelmente chateados por ter sua primeira experiência lacrada por um cadeado no portão.

Alguns até tentavam dialogar com o segurança. Entre uma palavra e outra, ele pressionava o fone de ouvido, como se estivesse ouvindo alguma orientação, e esbravejava: “Só daqui 2 horas, 2 horas e meia liberaremos novas entradas”.

Indiquei que havia um casal amigo lá dentro, em uma mesa, nos aguardando. De nada adiantava.

Aí é que começa a situação vexatória, para nós de fora, e principalmente para a marca da Ambev.

Uma moça aproximou-se do portão, e assim como o meu argumento, indicou que um namorado a aguardava. Porém, ao invés de disparar a mesma resposta, o segurança balbuciou em seu walkie talkie, e tento um consentimento (ou fingindo), abriu o portão para a moça entrar.

A cena se repetiu mais uma vez. E, claro, em todas eu novamente solicitava que assim como os que entraram, também tinha um casal lá dentro nos aguardando. Sempre negado, ou simplesmente ignorado.

Havia se passado cerca de 40 minutos de espera, quando aconteceu algo mais curioso. Um rapaz dos seus trinta e poucos anos se aproximou do portão, e perguntou se “pessoa de idade tinha preferência”. O segurança falou no rádio, e afirmou que sim.

Pausa: Ok pessoa de idade ter preferência. Mas preferência não quer dizer criar uma vaga que não existe. Afinal, ninguém estava podendo entrar. No máximo, ao meu entender, o idoso passaria na frente na hora que a fila andasse.

O rapaz ainda complementou que se tratavam dos seus pais, que tinham 80 anos. O segurança então abriu o portão, e aí aconteceu a palhaçada da noite.

O dito casal de 80 anos nem de longe tinha essa idade. Mas junto com eles, entrou uma família inteira. Foram umas 10 pessoas que estavam acompanhando os mesmos, incluindo crianças (criança num rolê de cervejaria?).

Aquilo pra mim foi o golpe fatal, decretando que a Colorado simplesmente cagou pra mim.

O destino as vezes é sádico

Após 1 hora angustiante no portão da cervejaria, o casal de amigos saiu da toca, e decidimos chamar um táxi com destino até um bar mais convidativo.

Eis que quando olho para o lado, na calçada, mexendo no celular, reconheço alguém familiar. Era Marcelo Carneiro, o fundador da Cervejaria Colorado.

Fui até ele, pedi licença, e contei minha história. Por alguns segundos, diante da atenção que ele me deu, vi ali meu salvo conduto. Mas estava errado.

Ele me ouviu e sem pronunciar uma só palavra, seguiu até o segurança, sussurrou algo no seu ouvido e entrou na Toca. Pouco se importou com minha viagem.

Percebi que a Colorado tinha realmente ligado o Foda-se para o Chato!

A Salvação da Noite

A nossa salvação, segundo a dica do casal amigo, foi a Biergarten. Um pub bem intimista, no coração de Ribeirão.

No bar, uma bela variedade de cervejas on tap: são 16 rótulos de cervejarias artesanais. Muitas delas regionais, e em sua maioria rótulos com alguma premiação, como a Ópera e Dádiva.

Se ainda não conhece, recomendo. Atendimento muito bacana, com direito a uma charmosa garrafa de água colocada na mesa, para lembrar de ir se hidratando durante um copo e outro. Show!

Após bebermos e comermos muito bem, fomos descansar nossos corpos no hotel, já de olho na viagem de volta.

A Sexta-Feira Santa

Na manhã de sexta, prestes a deixar o hotel, algo me desconsolava. Uma mistura de raiva e arrependimento me tomava. Pensar que um programa tão simples, como viajar para visitar um bar e não conseguir concluí-lo, simplesmente acabava comigo.

Foi quando tive a ideia de permanecer mais um dia em Ribeirão, e tentar retornar na sexta à noite na Toca do Urso.

Confesso que a decisão não foi fácil. Pesava o pouco caso da cervejaria. Pesava a opinião da esposa e amigos. Pesava passar o dia todo remoendo a lembrança até a hora de voltar. Mas venceu a vontade de conhecer.

O céu (ou o que seria ele)

Finalmente o sol começou a cair. Já estava ciente que o bar abriria suas portas às 18h, e queria chegar cedo. Afinal, não queria ficar do lado de fora do portão mais uma vez, feito um imigrante clandestino em um país hostil.

Chegamos ao bar próximo das 19h. Fila! Mas pelo menos com portão aberto.

A fila, por sinal, deve-se ao cadastro de cada visitante. A Toca do Urso, caso não tenha lido o post sobre o local, é totalmente automatizada e com auto-serviço. Basta aproximar o seu cartão de visitante da chopeira, que a mesma lhe identifica e libera a utilização (foto mais abaixo).

Porém, muitos visitantes tinham dúvidas, outros esqueciam os documentos, outros não achavam o cartão na bolsa. Ou seja, tudo fazia com que as 2 moças que faziam o check-in atrasassem o cadastro. E a fila só aumentando.

Ali foram consumidos 40 minutos, para o atendimento de uma dúzia de pessoas que estavam à minha frente. Tenso!

Dentro da Toca do Urso, a sensação é nunca ter visto nada igual. São vários micro-ambientes, em formato de tocas. Cada um composto por um estilo diferente de mesas, balcão ou bancos. Nota 10 para a climatização.

Há também mesas espalhadas pelo salão, além de uma arquibancada e mesas na área externa.

Mas o que chama atenção são as chopeiras automáticas. Em casa uma delas uma tela explica a cerveja disponível, ibu e teor alcoólico.

Aproximando o seu cartão de visitante, já devidamente carregado antecipado, ele mostra o seu nome e a quantidade de crédito restante.

São vários os rótulos da Colorado disponíveis. Em nenhum momento percebi fila anormal nas chopeiras. As vezes uma ou duas pessoas na minha frente, mas sempre muito rápido.

Porém nem sempre a cerveja estava na temperatura ideal. E nem haviam tantas pessoas assim na casa, logo que cheguei.

Alguns rótulos, como a Appia, possuem mais de uma torneira. Creio que no total tenham de 8 a 10 torneiras. Não me atentei em contá-las, mas sim encher meu copo a cada passada por elas.

Há sempre algum funcionário ao lado, para lhe auxiliar caso precise. Se um rótulo estiver no fim do barril e só sair espuma, o funcionário encerra a torneira até a troca do barril, e lhe concede abastecer em outra torneira, por conta da casa (para suprir a espuma que foi colocada e cobrada em seu copo). Ponto positivo pra Colorado!

Conforme vai enchendo o seu copo, o painel mostra a quantidade em ml abastecido, assim como o seu saldo de cartão.

Já a cozinha é bastante diversificada. Porém essa você paga diretamente no pedido, e não descontando o saldo do seu cartão.

Realizando a compra, o funcionário lhe entrega um sinalizador, aqueles que ficaram famosos na rede Outback, para lhe informar quando o seu pedido está pronto.

Pedimos um bolinho de polenta com recheio de queijo canastra. Muito bom. Detalhe para a travessa onde vem a porção, em formato que lembra ração de animais.

Alguns podem achar pejorativo. Eu curti!

Uma banda animava o ambiente, sempre com muito rock – característica marcante nos ambientes cervejeiros.

Após boas rodadas de cerveja boa, risadas e fotos, finalmente nos demos por missão cumprida.

Apenas o que seria a loja de souvenir não estava operando. Ela fica dentro de um ônibus, mas sabe-se lá o motivo simplesmente não estava em funcionamento.

Ficaram ainda alguns reais de saldo no meu cartão de visitante. Ele fica contigo, e numa próxima visita não precisa se cadastrar.

Agora visitar de novo, aí é algo que só o tempo dirá.

Fui um Guerreiro para cumprir a tarefa de entrar na Toca do Urso, o que deveria ser a etapa mais simples do processo.


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